Proposta de pesquisa musical

 


https://open.spotify.com/playlist/70r23aw7PCIlVMfH6JtupI?si=9066dee87a8d4830


Tenho pesquisado músicas que estejam relacionadas ao orixá Iroko. No processo encontrei um álbum completo do cantor Tiganá Santana que foi elaborado a partir deste orixá, tenho escutado e pensando na possibilidade de montagem de processos coreográficos a partir dessa seleção musical.


https://tiganasantana.net/albums/iroko-2023/


O álbum Iroko reúne os artistas Omar Sosa, de Cuba, e Tiganá Santana, do Brasil, numa concentrada celebração à afrodiáspora sem tempo determinado. Após cerca de quatro anos, amadurecendo a ideia de gravarem juntos, os músicos, finalmente, puderam gravar um álbum em que tocam – apenas os dois – todos os instrumentos, cantam, recitam e navegam em águas fundas de criação e recriação.

O orixá Iroko, presentificado por uma árvore (no Brasil, em geral, a gameleira branca), as temporalidades, as dimensões de ancestralidade, presença e sonho, bem como a ideia de experimentação, fazem-se presentes no álbum. Há composições de ambos os artistas e há temas tradicionais de domínio público, quer do universo da Santeria, quer do universo do Candomblé Congo Angola.

Omar Sosa, por exemplo, registra a sua voz cantando, pela primeira vez, num álbum. Tiganá Santana registra, pela primeira vez num álbum, voz e instrumentos nos caminhos afrocubanos. Presente no Candomblé Ketu, no Brasil, e na Santeria, em Cuba, Iroko é a força homenageada nesse projeto artístico por ligar tempos e territórios, por demandar-nos uma relação inegociavelmente profunda e respeitosa com o que o Ocidente chama de natureza, pelo (co)movente mistério da existência. Há temas que foram compostos praticamente no momento das gravações, tais como “Black frequencies” – que consistiu numa experimentação em que nem Tiganá nem Omar sabiam o que cada um estava criando; depois, juntou-se o que, de início, fizeram separadamente -, “Inner crossing (travessia)” – poema concebido e incluído como uma das faixas do álbum depois de dois dias de gravações – e “Time in nature” – outra experimentação que combina diálogos e harmonização ao piano. “Iroko” – agora enquanto faixa – é um tema tradicional da Santeria, assim como são temas tradicionais “Muilu” e “Kitembu” – designações que concernem à energia (“Nkisi”) do Candomblé Congo Angola mais conhecida, simplesmente, como Tempo, e usualmente associada a uma correspondência à energia (“Orixá”) Iroko, do Candomblé Ketu, ou à energia (“Vodum”) Loko, do Candomblé Jeje.

Entre vozes, piano, violão-tambor, percussão e percussão de corpo, os músicos, que também são os produtores musicais do álbum, realizaram, ao seu modo, com texturas acústicas, a sua oferenda a Iroko, ao tempo presente e a ancestralidades negras que cruzaram o Atlântico. São onze faixas de uma criação registrada fonograficamente por André Magalhães no estúdio Gargolândia. A produção executiva do projeto é de Mônica Cosas, sem quem os artistas não se teriam encontrado, primeiro no Brasil e depois em Paris, até conceberem o presente trabalho. A artista convidada para pensar-inventar a capa do álbum foi a grande artista visual Criola. Escreveram, a convite, os textos de apresentação do álbum ninguém menos que duas referências fundamentais e de distintas gerações e campos de atuação: Carlos Moore e Fabiana Cozza.

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