Proposta de Canção e Texto

 



“Tempo”, citado na canção, é o inquice da atmosfera, da tempestade, do vento, bem como da passagem do tempo e das estações. A saudação para esse inquice é “Zaratempo macura dilê”, que, de acordo com Luiz Atônito Simas, compositor da canção, significa algo como  “Tempo é a casa que cresce; passando a ideia de que Tempo não tem fim e nem começo.”


https://www.tiktok.com/@dusadoaxe/video/7208896364607114501

https://www.youtube.com/watch?v=vyxno_KjbVk

https://petletras.paginas.ufsc.br/2023/12/19/a-lingua-e-o-rap-em-pra-curar-a-dor-do-mundo-de-marcelo-d22/#:~:text=A%20sauda%C3%A7%C3%A3o%20para%20esse%20inquice,tem%20fim%20e%20nem%20come%C3%A7o.%E2%80%9D


Letras

No clarão de Zambiapungo

Malungo deitou pra Tempo

Macura Dilê, meu dengo

Tempo macura Dilê

Quem curou a dor do mundo

No tronco da gameleira

Fez mingau de carueira

Canjica no Canjerê

Bota o mel no coco verde

Não breca o bote da onça

Chama o caboclo de lança

Faz moqueca pro erê

No clarão de Zambiapungo

Malungo deitou pra Tempo

Macura Dilê, meu dengo

Tempo macura Dilê

Não sabe onde o sonho cessa

Quem na mata a fera amansa

Pra vida bate cabeça

Dribla a morte enquanto dança

Alimenta o tambor

Dá o doboru de Kavungo

Mugunzá e orobô

Pra curar a dor do mundo

No clarão de Zambiapungo

Malungo deitou pra Tempo

Macura Dilê, meu dengo

Tempo macura Dilê

E se 'tiver com muita água é só deixar

Tempera ele e deixa ele cozinhar que ele vai apurando, 'tá

Sem tampa, com a tampa, com a panela destampada

Tempo espalha a semente

E o pão que a mão amassou

Passado ampara o presente

Futuro é de quem lembrou

E sabe que tempo passa

O tempo nunca adormece

Zaratempo só abraça

Quem no tempo permanece

No clarão de Zambiapungo

Malungo deitou pra Tempo

Macura Dilê, meu dengo

Tempo macura Dilê

No clarão de Zambiapungo

Malungo deitou pra Tempo

Macura Dilê, meu dengo

Tempo macura Dilê

Macura Dilê, meu dengo

Tempo macura Dilê

O que eu vi sou Eu

O que eu senti, o que eu sofri, sou Eu

Sou Eu quando eu quero, até quando eu não quero ser

Por isso Eu só morro quando o meu samba morrer

Sou Eu andando fora da linha

Sou Eu andando nos trilhos

Sou Eu no sorriso dos meus antepassados

E também no sorriso dos meus filhos

Sou Eu na dor e no prazer

Por isso eu só morro quando o meu samba morrer

Eu sou a força da minha mãe e fraqueza dela também

Eu sou a alegria do meu pai e a tristeza dele também

Sou novo, tradição

Sou rap, samba no pé

Soldado filho de Ogum, certeza do meu Axé

De tudo o que passou por mim

Eu sou o que eu posso ser

Por isso eu só morro quando o meu samba morrer


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