CENA 3 - CONCEPÇÃO DRAMATÚRGICA E ESTÉTICA

 



A Cena 3 e final do espetáculo inicia com o término da canção Ténpu ki bai, de Mayra Andrade. Quando começa a canção Iroko, interpretada por Omar Sosa e Tiganá Santana, entramos em um processo de introspecção e de relação com o tempo, a partir do òrìsà Iroko. Aliando à coreografia, que surge de processos composicionais recolhidos de uma improvisação e, após, sistematizados em uma linguagem coreográfica, pretendemos transmitir, por meio do movimento, uma atmosfera de profundidade ancestral, conexão ancestral e resiliência cultural. Os movimentos precisam ter muito sentimento, qualidade de movimentação e precisão em cada caminho escolhido para colocar o corpo no espaço. Neste momento, fazemos uma referência direta à árvore sagrada do tempo; nossa dança simboliza força, tempo e ancestralidade.

Usufruindo da sonoridade que faz uma fusão entre o piano jazzístico e a interpretação vocal intimista e evocativa de Tiganá Santana, observe como o som cria uma experiência sonora rica em camadas emocionais. A música passa uma sensação de contemplação, respeito à natureza e aos saberes ancestrais, além de carregar um senso de ritual e transcendência. Ao dançar, o espectador precisa se sentir convidado a uma imersão sensorial e espiritual, onde ritmo e melodia se entrelaçam para evocar memórias, resistência e um profundo vínculo com a tradição negra.

Em seguida, temos a canção Tempo interpretada por Versos Que Compomos Na Estrada. Neste momento, nossa dança realiza um processo comunicacional de reflexão poética sobre o tempo e a jornada da vida, além das escolhas que fazemos quando estamos atuantes no tempo. A dança trata de como o tempo se passa e de como as experiências vividas ao longo do caminho, as escolhas e os encontros, moldam a nossa existência. A movimentação precisa transmitir uma sensação de reflexão sobre a efemeridade da vida e a importância de cada momento. Ao realizar o movimento, é necessário internalizar que a composição gestual sugere que, a cada passo dado, estamos criando nossa própria história, uma história que é ao mesmo tempo pessoal e coletiva, em uma energia ubuntu.

A dança vai trazer uma melancolia sutil, sugerindo que o tempo não pode ser parado ou controlado, mas que é possível encontrar beleza e significado ao longo do percurso. Convidamos o público a refletir sobre a ideia de que, embora o tempo seja fugaz, as marcas que ele deixa em nós são eternas, seja pelas escolhas, pelas memórias ou pelas histórias que compomos ao longo da jornada. Essa mistura de introspecção e a beleza das experiências vividas faz com que a dança seja uma ode ao processo contínuo de viver e aprender.

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