Espaço Cênico e Organização Estrutural do Espetáculo

 


Espaço Cênico e Organização Estrutural do Espetáculo

O espetáculo foi concebido para ser desenvolvido em dois blocos cênicos distintos, articulando propostas estéticas complementares que dialogam entre si na construção de uma narrativa sobre o tempo. Para sua realização, foi escolhido o Espaço Cultural Emaranhado, cuja estrutura possibilita a ocupação de diferentes salas — a Sala Preta e a Sala Amarela — integrando, assim, espacialidade e dramaturgia de maneira orgânica.

A dinâmica da apresentação prevê a circulação do público entre os ambientes. O espetáculo tem início na Sala Preta, ambiente onde se desenvolve o primeiro bloco, pautado por uma estética coreográfica que aborda a ancestralidade negro-brasileira e negro-africana. Esta primeira parte constitui uma reflexão simbólica acerca da temporalidade, a partir do orixá Iroko, figura associada ao tempo e às forças da natureza. A coreografia propõe um resgate de gestualidades tradicionais e uma imersão nos imaginários culturais ancestrais, construindo uma atmosfera de reverência e memória coletiva.

Sala Preta - Primeiro Bloco


Posteriormente, o público é conduzido à Sala Amarela para o segundo bloco, no qual a linguagem cênica se desloca para uma abordagem afro-contemporânea. Nesta etapa, a reflexão sobre o tempo se atualiza, considerando as reverberações temporais no cotidiano contemporâneo. A coreografia explora a construção de memórias a partir das experiências diárias, ressaltando a relação entre corpo, tempo e memória como elementos dinâmicos que estruturam a existência. A proposta enfatiza a necessidade de consciência sobre a elaboração contínua das memórias corporais, muitas vezes invisibilizadas no fluxo cotidiano.

Sala Amarela - Segundo Bloco

A direção artística do espetáculo é compartilhada entre dois profissionais, respeitando as especificidades de cada bloco. A primeira parte, realizada na Sala Preta, é dirigida por Maicom Souza, cuja pesquisa se orienta pela valorização das estéticas afro-brasileiras tradicionais. A segunda parte, na Sala Amarela, é dirigida por Ricardo Reis, que propõe um olhar contemporâneo sobre as mesmas questões, ampliando a discussão para os desdobramentos temporais na atualidade. Ambos os diretores atuam de forma colaborativa e interdependente, assegurando a coesão dramatúrgica e a continuidade estética do trabalho.

Em termos logísticos, definiu-se que cada sessão contará com a presença de, no máximo, 20 espectadores, medida que visa proporcionar uma experiência intimista, otimizar a ocupação do espaço e favorecer a interação entre artistas e público.

O elenco é composto por quatro bailarinas, cuja atuação será complementada pela utilização de elementos cênicos que dialogam com a proposta estética e simbólica de cada bloco. A opção por um número reduzido de intérpretes permite aprofundar a exploração das microações corporais e dos detalhes dramatúrgicos, enfatizando as nuances da criação.

Por fim, planeja-se a realização de 20 apresentações ao longo da temporada, estratégia que possibilitará a manutenção do espetáculo e contribuirá para o fortalecimento e dinamização da cena cultural local.

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